quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Eu tinha uma amiga.
Ela era linda, tinha os cabelos cacheados, os olhos castanhos e um sorriso animador. Ela me entendia, me fazia rir e me abraçava mesmo quando eu não precisava. Ela tinha um bom coração, este estava aberto pra todo mundo, inocentemente. As coisas fluíam bem mais fáceis quando eu estava com ela, ela me ajudava a estudar e agente fazia brigadeiro para comer assistindo filme de terror. Era engraçado o jeito que ela me deixava ser eu mesma, como o abraço fofinho me fazia sentir melhor. Eu a amava e creio que ela me amava também. Mas sabe quando uma coisa muda de repente? Ela conheceu um garoto, pela Internet, e bem eu a dei muita força para ela dizendo pra ir em frente e investir neste garoto. Foi a m#rda mais idiota que eu fiz na minha vida. Foi aí que as coisas começaram a desandar, ela estava mais distante, mas fria, seus olhos não brilhavam como antes, o seu sorriso não tinha mais intensidade.Eu perguntava como ela andava e ela sempre dizia que estava bem e voltava a sorrir o mesmo sorriso sem graça. Estava mentindo - inutilmente, mas estava. Eu a conhecia como a palma das minha mãos, mas ela estava renegando os meus conhecimentos. Mas isso não mudou nada do que eu sentia pela minha amiga. Todos os dias no colégio era como se fizesse décadas que não nos víamos, gritávamos, pulávamos e nos abraçávamos sem nos importar com que os outros iria achar. Eu podia contar com ela para qualquer coisa, mesmo. Depois disso, ela começou a ter umas crises com o garoto da Internet, eles brigavam, discutiam e ela recorria a mim para socorrê-la daquela dor, eu a ajudava, sempre. O problema é que as crises aumentaram e foram se tornando cada vez mais frequentes, até que a luzinha dela se apagou, ela sempre aparecia abatida, triste, mas nada a impedia de fazer as mesmas piadinhas bobas e de tentar me fazer rir. E bem, eu conheci um garoto, ele nem era tão bonito assim e nem tão legal, mas eu pensava que estava apaixonada, e como sempre, recorri a minha cúmplice para ajudar. Mas ela não estava ajudando muito, era uma espécie de pressão, algo que me incomodava. Mas tem um dia que eu me lembro bem, eu tinha acabado de chegar no colégio e eu a vi abraçada com o garoto que gostava. Ah, com aquilo doeu, era algo que estava me corroendo por dentro, mas eu continuei andando, passei direto e fingi que não vi. E eu naquele momento lembrei da frase mais usada por ela " Eu nunca trairia a confiança de uma amiga, acho isso uma falta de respeito". Até que ela me disse que eles estavam namorando, firme. E eu fiquei no meu canto, porque eu não queria atrapalhar a sua felicidade. Tive que conviver com aquilo todos os dias, e o pior é que ela não me parecia feliz. As coisas andavam em um clima bem tenso, mesmo. Foi apartir daí que eu descobri que confiar nas pessoas é mais uma forma de suicídio. Bem, pra resumir, ela acabou descobrindo que ele era um idiota e que não valia a pena, mas a nossa amizade nunca mais foi a mesma. Muitas brigas e discussões vinheram depois disso. E sem falar que ela voltara com o tal garoto da Internet e ele continuava não a fazendo bem. Eu tentei, milhões de vezes dizer que ele não valia a pena, mas ela sempre dizia que eu estava contra a sua felicidade e que nunca estava do seu lado.E o que mais eu podia fazer a não ser assistir ela se matar daquele jeito? Nada. Os anos foram se passando e apesar de tudo, a nossa amizade ia se quebrando aos poucos, mas isso não queria dizer que estava acabado. Ainda não. Ela tinha sua vida e eu tinha a minha, não era mais a nossa vida. Ela tinha seus novos amigos e eu tinha os meus. Mas os meus amigos eram reais, eu podia tocá-os, mas não poderia dizer o mesmo de seus amigos. Estávamos tão distantes, mesmo estando perto. Não era mais a mesma coisa e eu acredito que não tenha mais volta. As brigas aumentavam e vinham cada vez mais intensas. Ela sempre dizendo que eu nunca a apoiava e eu tentando mostrá-la o lado certo das coisas. Eu não consegui mais confiar nela desde aquela primeira briga, era como se um muro espesso se materializasse entre nós. Mas o pior é quanto mais isso acontecia, mais eu sentia raiva dela, do quanto ela se enganava com aquele cara, do quanto ela tentava ser alguém que ela não era. Minha melhor amiga tinha virado uma garota manipuladora e egoísta. Ela queria atenção de todos, queria fazer com que todos gostassem dela. E ela conseguia porque afinal, sempre foi uma pessoa doce acima de tudo. É incrível o jeito que ela consegue me culpar por tudo isso, por ter feito com que ela mudasse, com que ela não confiasse mais em mim. Poxa, eu sempre fiz tudo pra que ela se sentisse bem e feliz. Mas tem uma hora em que eu não consegui mais, eu falei palavras que a machucaram, fisicamente também. E eu não me arrependo, sinceramente, mas peço desculpas. Ela não sabe o quanto eu a amei, não sabe que eu faria de tudo para que ela ficasse bem. Mas hoje, não passa de uma desconhecida para mim. Eu não a odeio, e nem a amo mais. Tenho um carinho imenso, mesmo, por ela, mas a cada burrada que ela faz isso vai sumindo aos poucos. Todo mundo erra, uma vez... duas vezes... mas apartir da terceira - e se esse for o mesmo erro- é uma completa burrisse. Eu confesso que sinto falta da minha amiga, sinto falta de todas as noites e os passos de dança que inventávamos, sinto falta de olhar pro lado e sorrir um sorriso bem exagerado, sinto falta de abraçá-la tão forte ao ponto de amassar seus peitos >< KK. Mas as coisas mudam, as pessoas mudam, eu mudei, ela mudou e creio que o nosso mundo esteja se separando. Isso dói. Mas nós já dissemos coisas que machucaram a outra, já nos evitamos, já não sorrimos e nem rimos das mesmas coisas. Eu tenho uma boa parcela de culpa nisso, mas não dá pra voltar no passado. Talvez seja melhor assim. É o fim. Pelomenos ainda tenho boas recordações de uma amiga com os olhos castanhos mais lindos que já vi.
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